Monsanto – A Aldeia Mais Portuguesa de Portugal

A nossa visita a Monsanto era suposto ser breve mas, sem nos apercebermos, o tempo foi passando e, rapidamente, a tarde se transformou em noite. Subimos até ao castelo, sentamo-nos para contemplar a vista, descemos de volta à aldeia, perdemo-nos pelas suas estreitas e coloridas ruas de invulgares casas e desembocámos  perto de um lugar perfeito para nos despedirmos do pôr do sol. Por culpa, do irresistível charme de Monsanto chegámos à nossa casa, no sossego do Alentejo,  às 3h da manhã, mas valeu a pena.

Monsanto é uma das 12 Aldeias Históricas de PortugalE, quase de certeza, que já devem ter ouvido falar desta aldeia. Afinal de contas é também conhecida como a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, um título bastante apelativo e que, de imediato, nos desperta a atenção.

Que nós tenhamos conhecimento, para além da iniciativa das Aldeias Históricas de Portugal, existem também o projecto das Aldeias de Portugal e o das Aldeias de Xisto. Conhecem mais algum?  Não é de agora que as Aldeias Portuguesas estão em destaque e, ainda bem. Estas aldeias merecem a devida atenção e promoção para que se tenha um papel activo na sua preservação, em vez de serem deixadas ao esquecimento e ao abandono, entregues à desertificação que se vai observando um pouco por todo o interior do país. É bom que tenhamos, cada vez mais, noção do imenso e importante património que estas aldeias possuem e o seu importante papel na preservação da memória de um Portugal mais autêntico. Estas aldeias são relíquias imateriais preservadas no tempo que guardam vestígios de um Portugal remoto e secular. Da vida simples, das suas gentes, dos seus costumes e tradições.

Já havia visto tantas publicações sobre Monsanto ser a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, que uma pergunta pairava constantemente na minha cabeça:

Porque raio Monsanto é a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal?

Afinal de contas Monsanto é encantador mas entre tantas outras charmosas aldeias porque é que esta haveria de ser a mais portuguesa de Portugal? Ora bem, a resposta é simples. Este título que é hoje apregoado aos quatros ventos deve-se a um concurso que foi realizado na altura do Estado Novo, em 1938. Monsanto ganhou! E merece, até aos dias de hoje, destaque cativo nos panfletos turístico como a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal.

Para os mais curiosos podem encontrar nos arquivos digitais da cinemateca portuguesa, um documentário de 1938, do realizador António de Meneses sobre a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal, onde poderão assistir a uma apresentação das 12 aldeias nomeadas nesse concurso.

Mais do que um concurso para eleger as aldeias em si, era um concurso focado nos seus habitante, na sua tradição e nos seus costumes. O objetivo desse concurso era homenagear a sua maneira de ser e de viver dessas aldeias, “tão natural, tão encantadora, tão portuguesa”

“As falas para dizer bem de certas coisas não atinam muitas vezes com as palavras necessárias e justas. Por isso, vale mais calarem-se e deixar que essas coisas falem só por si”. Estas foram as palavras do narrador do concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal para apresentar Monsanto, não poderíamos  concordar mais com as mesmas. Assim sendo, deixarem-nos que os registos fotográficos da nossa visita a Monsanto falem por si.

Monsanto

Monsanto

Monsanto

Monsanto

Monsanto

Monsanto

Monsanto

Não sei se já reparam, mas o tema de 2017 das 7 Maravilhas de Portugal são as Aldeias. Monsanto está nomeado também na categoria de Aldeia Monumento. Já agora, para os que andam sempre em busca de novos lugares charmosos para visitar, passarei a enumerar todas as aldeias nomeadas neste concurso. As Aldeias nomeadas estão subdividas em 7 categorias distintas: Aldeias Monumento (Almeida, Estoi, Evoramonte, Idanha-A-Velha, Monsanto, Monsaraz e Sortelha), Aldeias de Mar (Azenhas do Mar, Costa Nova, Fajã dos Cubres, Ferragudo, Porto Covo, Porto Moniz, Zambujeira do Mar), Aldeias Ribeirinhas (Aldeia da Luz, Dornes, Escaroupim, Furnas, Santa Clara-a-Velha, Sete Cidades, Vilarinho de Negrões), Aldeias Rurais (Alegrete, Cachopo, Casal de São Simão, Faial, Manhouce, Paderne, Sistelo), Aldeias Remotas (Aldeia da Pena, Branda da Aveleira, Castro Laboreiro, Curral das Freiras, Fajã de São João, Gondramaz, Piódão), Aldeias Autênticas (Aldeia do Xisto de Cerdeira, Alte, Biscoitos, Castelo Rodrigo, Fontão de Loriga, Montesinho, Podence) e Aldeias em Áreas Protegidas (Aldeias das Salinas da Fonte da Bica, Bordeira, Chão da Ribeira, Lindoso, Penedo, Rio de Onor, São Lourenço).

Onde comer?

Mal chegámos a Monsanto, não resistimos a parar na Taverna Lusitana para petiscar. O Valter cedeu à curiosidade e decidiu provar a cerveja artesanal feita com avelã. Chama-se Lusitana e, segundo dizem, é cerveja de guerreiros. Se por lá passarem, não deixem de provar os pastéis de cereja. Uma espécie de pastéis de nata, mas feitos com cerejas. São deliciosos! Não deixem também de aproveitar a vista panorâmica do terraço. Não provámos os shots, mas segundo uma leitora nossa são fantásticos!

Preço: Costumo sempre fotografar o talão para depois partilhar convosco, mas neste dia esqueci-me. No entanto, se a minha memória não me engana. Uma cerveja artesanal lusitana, uma cidra, um petisco de pão, azeitonas, queijos e chouriços, 2 pastéis de cerejas ficou em cerca de 19€.

Taverna Lusitana: Monsanto

Taverna Lusitana: Monsanto

Taverna Lusitana: Monsanto

Onde dormir?

O Moinho do Maneio dista apenas cerca de 20km de Monsanto e é a opção perfeita para aqueles que privilegiam o contacto com a natureza e uma experiência diferente. Sabiam, que aqui até poderão dormir numa bolha e usufruir de uma vista desimpedida para as estrelas?

Não deixem de ler os nossos artigos sobre este alojamento:  5 Razões Para Pernoitar No Moinho Do ManeioHotel de 1 Bilhão de Estrelas: Dormir numa Bolha.

Moinho do Maneio

Moinho do Maneio

Esta foi a primeira Aldeia Histórica que visitámos. Mal podemos esperar para arranjar um tempinho e visitar todas as que faltam! E vocês, quantas já visitaram?

Lara Oliveira

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